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Paulistão Série A3
Em 20 de março de 2018 às 11:54

Atibaia não atua em sua cidade desde 2015; FPF não vê problema no aumento dos "sem estádios"

Além do Falcão, outros clubes tiveram que jogar em cidades vizinhas e teve quem perdesse por W.O.

Rodolfo Brito São Paulo-SP

São Paulo - O Atibaia, mais uma vez, luta pelo acesso na Série A3 do Campeonato Paulista (equivalente a 3ª divisão). O Falcão, novamente, joga longe de casa, da cidade natal e dos seus torcedores. A Federação Paulista de Futebol (FPF), porém, não vê problemas no aumento dos "sem estádios". São os clubes que não regularizam suas casas e são obrigados a atuar em cidades vizinhas, deixando suas torcidas órfãs.

"O Artigo 41 estipula a capacidade mínima dos estádios de acordo com a Série disputada. O primeiro parágrafo deste mesmo artigo detalha que, o clube que não possua quantidade mínima de lugares liberados [...] será autorizado a mandar suas partidas no referido estádio por período não superior a dois anos, desde que tenha as providências para adequação da capacidade mínima", argumentou a FPF por meio da sua assessoria.

O Atibaia, no entanto, não manda jogos no Estádio Salvador Russani desde 2015. Naquela oportunidade, aliás, o clube do interior conquistou o acesso, mas perdeu a vaga após não aumentar a capacidade da sua casa de três para oito mil lugares. 

"Ainda de acordo com o RGC, os clubes que necessitem de reforma, ampliação ou construção deverá solicitar ao Departamento de Infraestrutura da FPF que contrate empresa especializada para a emissão de laudo atestando a data de conclusão da obra. De acordo com o parágrafo 6 deste mesmo artigo do RGC, os Clubes que não atenderem a qualquer dos requisitos previstos no caput, no § 1º e/ou no § 2º deste artigo não poderão disputar a Competição da Divisão para a qual ascenderiam e darão lugar ao Clube melhor colocado da Divisão inferior, dentre aqueles que não haviam se classificado", explicou a FPF.

 Torcida do Atibaia sofre para acompanhar o clube em outras cidades, mesmo o Falcão sendo mandante!Atibaia / Site OficialTorcida do Atibaia sofre para acompanhar o clube em outras cidades, mesmo o Falcão sendo mandante!
Nômade!
Há três anos, por sinal, o Atibaia não atuou todos os seus jogos na Série A3 no Salvador Russani. Naquela oportunidade, o Falcão voou por Bragança Paulista (Nabi Abi Chedid), Guarulhos (Ninho do Corvo) e  Indaiatuba (Gigante da Vila Industrial). Esse último estádio, aliás, passou a ser a casa oficial do Atibaia, principalmente, em 2018. Antes, o clube ainda rodou por Taubaté (Joaquim de Moraes Filho) e Itapira (Coronel Francisco Vieira) em 2016.

"Os parágrafos primeiro e segundo do artigo 43 afirmam: "Caso qualquer um dos Laudos Técnicos exigidos neste RGC perca a vigência durante a Competição, o Clube deverá indicar um novo estádio para receber suas partidas enquanto não obtiver a renovação do referido laudo". E "Na impossibilidade de uso do seu estádio, o Clube indicará formalmente ao DCO outro local que esteja devidamente aprovado, em conformidade com o caput do artigo 41 deste RGC, com Laudos vigentes e com a devida autorização do proprietário para o uso, com 10 (dez) dias corridos de antecedência ao seu jogo, conforme determina o artigo 13 deste RGC, sob pena de não realização da partida e consequente perda por W.O.", finalizou a FPF.

Sem estádios!

O Atibaia, no entanto, não está só. O caso do Falcão é o mais grave por conta do longo período fora de casa e também pela perda do acesso em 2015. O Sr. Goool tentou contato com a diretoria do Atibaia, mas não obteve resposta. A questão é que, neste ano, os "sem estádios" se multiplicaram pelo interior de São Paulo e sem nenhum veto da FPF. Na Série A3, a Matonense é outro exemplo. O clube não tem atuado em Matão e, sim, em Bebedouro no Sócrates Stamato. Sem falar nos clubes que perderam por W.O. ao não apresentarem um estádio em condições de receber jogos.

O tradicional Rio Branco teve o Décio Vitta interditado e, ao não indicar um novo estádio, perdeu de 3 a 0 para o EC São Bernardo na 2ª rodada. O Tigre precisou atuar no Antônio Lins Ribeiro Guimarães, em Santa Bárbara D'Oeste. O Mogi Mirim, com o Vail Chaves sem condições de receber partidas, joga no Coronel Francisco Vieira, em Itapira. Mas na 16ª rodada, o Sapão esqueceu de avisar a FPF e perdeu por W.O. para o EC São Bernardo, resultado que decretou o rebaixamento do clube à Segundona.

Na Série A2 Paulista, o punido foi o Rio Claro. Sem o Estádio Dr. Augusto Schimidt Filho apto a receber duelos, o Galo perdeu por W.O. para o Juventus na 3ª rodada. O Rio Claro ainda mandou suas partidas em Limeira e até mesmo na casa do rival Velo Clube (Benito Agnelo Castellano). Os clubes do interior, ano a ano, "morrem", mas antes deixam suas cidades e seus torcedores sem futebol.