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Em 03 de dezembro de 2016 às 12:40

Chapecoense se despede dos seus heróis que jamais serão esquecidos

Campeões que uniram torcedores de clubes rivais, pessoas de línguas, raças e credos diferentes

da Redação -

Santa Catarina - Arena Condá. Chapecó. Sábado, 3 de dezembro de 2016. O gramado continua verde, as arquibancadas seguem cheias, mas não há bola, traves e nem jogo. A alegria também desapareceu. Restou a paixão pelo clube e pelos ídolos, assim como compaixão, a comoção e a solidariedade a pais, irmãos e filhos das 71 vítimas da tragédia do avião LaMia CP-2933, no Cerro El Gordo, em La Unión, cidade da província de Antioquia. Os jogadores estão em casa para a última despedida. Mas isso não quer dizer que eles serão esquecidos. Pelo contrário. Jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas estarão sempre no coração dos torcedores da Chapecoense, dos brasileiros, colombianos e de todas as pessoas no mundo que se emocionaram e se solidarizaram desde a última terça-feira.

Dias que mostraram ser possível ter união em um mundo cada vez mais individual. Dias de esperança em um mundo mais solidário. Dias de dor profunda, mas também de amor ao próximo. Dias em que cada abraço nos aproximou e nos fortaleceu para suportar a tristeza que tomou conta de nossos corações. Dias em que a Chapecoense uniu o mundo da bola e seus jogadores, guerreiros, heróis, campeões uniram torcedores de clubes rivais, pessoas de línguas, raças e credos diferentes.

 Chapecoense se despede dos seus campeões, mas jamais os esquecerá!Reprodução / ChapecoenseChapecoense se despede dos seus campeões, mas jamais os esquecerá!
A despedida no gramado da Arena Condá é simbólica e dolorida. Agora, eles irão jogar em um campo azul e com visão privilegiada dos seus entes queridos. Chegou a hora deles encantar as outras estrelas que, sem dúvida nenhuma, os receberam de braços abertos. Se antes eles precisavam do apoio dos torcedores e dos familiares para entrar em campo, agora, serão eles que torcerão e apoiarão aqueles que ficaram aqui, de lágrimas nos olhos e aperto no coração. Lágrimas que caíram em forma de chuva neste sábado em Chapecó. Chuva que abençoou todos que foram dar um último adeus aos guerreiros no Condá.

E este próximo passo será ainda mais difícil. A dor não dará trégua e a solidariedade destes últimos dias não poderá desaparecer, assim como a compaixão das pessoas. Mais do que nunca os familiares de jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas vão precisar da mão amiga, do abraço do próximo.

Recomeço!

A Chapecoense, por sua vez, terá enormes desafios. O clube catarinense precisará dos jogadores prometidos pelos principais clubes, necessitará de apoio financeiro e, sem dúvida, do seu apaixonado torcedor. A tarefa não será fácil. É um recomeço, mas com desafios maiores do que aqueles vistos na Série D do Campeonato Brasileiro.

Assim como os familiares precisarão de compaixão, a Chapecoense também terá que contar com a solidariedade dos clubes. Problemas de um futuro breve, enquanto a Chape ainda chora a perda dos seus heróis.

Sonhadores jogadores que só queriam ser campeões da Copa Sul-americana. Título que ecoou nas vozes dos torcedores do Atlético Nacional no Estádio Atanasio Girardot, em Medellín, "Que lo escuchen / En todo el continente / Siempre recordaremos / Campeon al Chapecoense". O atual campeão Santa Fe fez a segunda parte e entregou o troféu simbólico aos catarinenses.

Mas nunca, jamais será só, apenas futebol. E os colombianos, novamente nos ensinaram que "no nos separa nadie. Solidariedad!". Solidariedade que os entes das vítimas vão precisar mais do que nunca. "Uma nova família nasce" e a esperança é que ela dure. #ForçaChape #ForçaChapecoense #DescansemEmPaz

Eternamente em nossos corações!

Jogadores: Bruno Rangel, Cléber Santana, Ananias, Arthur Maia, Canela, Danilo, Dener Braz, Filipe Machado, Gil, Gimenez, Kempes, Lucas Silva, Matheus Biteco, Sérgio Manoel, William Thiego, Tiaguinho, Josimar, Marcelo Augusto e Caramelo;

Comissão Técnica: Luiz Cesar, Sérgio Luís, Anderson Donizette, Adriano Wulff, Cléberson Silva, Caio Júnior, Buião, Duca, Márcio Bestene, Anderson Paixão, Pipe Grohs e Rafael Correa;

Dirigentes: Chinho di Domenico, Cadu Preuss, Mauro Stumpf, Sandro Luiz Pallaoro, Nilson Folle, Decio Burtet, Jandir Bordignon, Mauro Dal Bello, Edir Féliz, Ricardo Porto e Delfim Peixoto;

Convidado: Daví Barela;

Jornalistas: Giba Pace Thomaz, Victorino Chermont, Guilherme Marques, Ari Júnior, Guilherme Van der Laars, Giovane Klein, Bruno Mauri, Djalma Neto, André Podiacki, Laion Espíndola, Rodrigo Santana, Deva Pascovicci, Jumelo Pereira, Paulo Júlio Clement, Mário Sérgio, Renan Agnolin, Fernando Doesse, Picolé, Gelson Galiotto, Douglas Dorneles e Jacir Biavatti;

Tripulação: Miguel Quiroga, Ovar Goytia, Sisy Arias, Rommel Vacaflores, Alex Quispe, Gustavo Encina e Angel Lugo.